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PuntoCom Comunicação

Como ser menos insegura em relação ao trabalho

21/8/2018

Porque, no cenário atual, difícil é não pirar

 

Estamos inseguras com o mercado de trabalho e chateadas com a vida. É isso que mostra o Índice de Medo de Desemprego e o Índice de Satisfação com a Vida apontados na pesquisa trimestral da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em dezembro de 2017, o dado mais recente divulgado, a insegurança dos brasileiros em relação ao emprego aumentou na comparação com o mesmo período de 2016. Já a satisfação com a vida caiu. Os valores estão entre os mais baixos registrados desde 1996. Temos medo dos cortes e estamos sobrecarregadas na empresa – afinal, equipes foram reduzidas. Já a competitividade corporativa se mantém, continuamos sendo (muito) pressionadas a dar o nosso máximo de produtividade.

 

 

O desequilíbrio entre esforço e recompensa é o começo dos nossos problemas. Tensão gera stress, que leva a doenças emocionais. “O trabalho em desarmonia com o indivíduo pode causar sofrimento, frustração, angústia, desatenção, irritação, agressividade, isolamento, medo, ansiedade, transtornos alimentares e obesidade, transtornos do sono, somatizações, abuso e dependência de álcool e outras drogas, além de depressão”, afirma o psiquiatra Helian Nunes de Oliveira, do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Universidade Federal de Minas Gerais.

Em 2016, quase 200 mil pessoas foram afastadas do trabalho no Brasil por transtornos mentais e comportamentais (depressão, stress, ansiedade, transtornos bipolares, entre outros), segundo dados do INSS. “O desgaste é inevitável, pois passamos grande parte da vida nesse ambiente que pressiona o emocional e exige da nossa atenção, energia e motivação própria”, explica a psicóloga Vânia Calazans, de São Paulo, que atua no tratamento de transtornos de ansiedade e do impulso.

A culpa não é só da economia

A crise do país não é o único fator gerador de stress. Ainda que estivéssemos em um cenário mais favorável, teríamos de lidar com questões atemporais do mundo corporativo, que desafiam nossa saúde mental. Viver acuada pela falta de tempo para entregar um projeto, não ter apoio dentro da equipe para se desenvolver e encarar turnos exaustivos (já que as horas extras são vistas como dedicação) são alguns exemplos que acarretam desgaste.

A má gestão de pessoas, porém, é o que mais pesa no esgotamento, diz a psicóloga e consultora de carreira Adriana Gomes, de São Paulo, autora do livro Tô Perdido! – Mudança e Gestão da Carreira (Qualitymark). “Apesar de tanto se falar da competência para a gestão de pessoas, ainda é algo em falta na maioria dos líderes. Muitos chegam à posição apenas porque são bons tecnicamente. Mas, se não souberem lidar com pessoas, começam os problemas de comunicação, aí a dificuldade para lidar com opiniões contrárias torna o ambiente hostil”, afirma. E há também a pressão que nós mesmas nos impomos. “Sempre é preciso galgar postos mais altos. Fica, então, a sensação de que aquilo que se tem nunca é o suficiente”, diz Vânia.

O tema ainda está debaixo do computador

A saúde mental está em pauta, não há dúvidas. Mas, apesar disso, tratar desse assunto no ambiente de trabalho continua sendo tabu, diz Caroline Cadorin, diretora da empresa de recrutamento Hays Experts, em São Paulo. “Muitos ainda acreditam que podem sofrer repreensão, ser mal interpretados ou mesmo julgados ao expor seus problemas”, diz. O receio é justificado. “As empresas estão mais conscientes em relação ao assunto e algumas conseguiram implementar ações, como patrocínio de grupos de esporte e oferta de serviços ou atividades aos colaboradores, dentro de suas instalações, que promovem relaxamento e bem-estar. Mas essa não é a realidade da maioria das empresas, que não possuem ações estruturadas ou pessoas preparadas para tratar o assunto”, afirma.

Em julho de 2017, um tuíte abriu essa discussão. A programadora Madalyn Parker publicou um e-mail que enviou à sua equipe: “Olá, time! Vou tirar hoje e amanhã de folga para focar na minha saúde mental. Espero voltar na semana que vem renovada e 100% pronta para o trabalho. Muito obrigada”. A admirável honestidade de Madalyn não chamou tanta atenção quanto a resposta do CEO da empresa, que também estava copiado na mensagem: “Oi, Madalyn. Gostaria de te agradecer por mandar um e-mail como este, que me lembra da importância de usar o afastamento médico também para a saúde mental – eu não acredito que isso não seja uma prática comum em todas as organizações. Você é um exemplo para todos nós e nos ajuda a superar um estigma”. Foram mais de 45 mil curtidas na postagem.

 

Madalyn teve o apoio não só de seus colegas como de seu chefe. Mas e se acontecer com você, o que fazer? Como saber que terá a mesma receptividade? Primeiro de tudo: não é obrigada a abrir o coração para a equipe ou gestor, mas há benefícios em fazer isso. “Quando esses problemas afetam seu rendimento, as pessoas que sabem o que está acontecendo conseguem ajudar. Além do mais, se o gestor é exposto a essa realidade, pode tornar-se um aliado à causa dos que trabalham para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores na empresa”, diz Caroline Cadorin. É melhor do que desabafar nas redes sociais, que traz um alívio momentâneo mas não resolve um sofrimento intenso. Mas analise o perfil de seus superiores.

“Se a sua chefia não é aberta ao diálogo, se é extremamente crítica, o que você disser pode ser usado contra você”, diz Adriana. Nesse cenário, há duas opções: recorrer ao RH, que se encarregará de avisar o gestor sobre o motivo do seu afastamento e/ou procurar ajuda psicoterapêutica para tentar se fortalecer sem ter que se ausentar – ao menos nesse momento. “A terapia pode deixá-la mais confiante para ter essa conversa com o chefe e lidar com a reação negativa que possa vir”, diz Vânia.

Quando é alguém da sua equipe passando por problemas de saúde mental, você pode iniciar essa conversa para que a pessoa se sinta amparada. “O assunto deve ser tratado de forma natural e cooperativa, e você deve demonstrar real interesse em ajudar”, diz Sócrates Melo, gerente regional da empresa de recursos humanos Randstad Professionals, em São Paulo. A frase a seguir é um exemplo de abordagem que expressa preocupação com o emocional da pessoa, e não com a produtividade: “Eu te conheço há um tempo e imagino que esteja acontecendo algo, porque você está diferente. Gostaria de saber se posso te ajudar de alguma maneira”. O funcionário vai contar o que sentir confortável para partilhar, e juntas poderão elencar alternativas para lidar com o problema.

De olho nas prioridades

Manter-se saudável em um ambiente tão exigente implica pensar mais em você. Em respeitar suas necessidades e limites e fazer as mudanças necessárias para gerenciar o stress diário. Alguns pontos que costumam ser problemáticos na rotina: não saber diferenciar o que é urgente do que é importante (tudo se torna prioridade!), dificuldade em delegar e dividir as responsabilidades, não conseguir dizer “não” e se comprometer a entregar mais do que consegue. “Saudável é o trabalho que faz querer voltar todos os dias, que traz realização pessoal. Nocivo é o trabalho além dos limites humanos, forçado, desmerecido e descuidado”, diz o psiquiatra Helian. O dia a dia fica mais leve também se você faz pausas entre as tarefas – levanta para esticar as pernas, tomar água, ouve uma música e conversa com colegas sobre assuntos aleatórios.

Há também técnicas de relaxamento (respiração e meditação, por exemplo) que auxiliam a organizar melhor o pensamento. Atividade física é outra aliada, porque libera substâncias químicas no corpo que contribuem para o bem-estar, além de ser uma forma de extravasar a tensão. Em resumo: o trabalho precisa estar em harmonia com a vida e em equilíbrio com o que te torna quem você é (família, amigos, saúde e lazer). Limites são necessários mesmo no emprego dos sonhos. Já o medo de perder o emprego não pode se sobrepor ao cuidado com a saúde mental, que exige a mesma atenção que a saúde física. Até porque, uma vez doentes, colocamos o trabalho em risco da mesma forma. Promete que vai se cuidar?

Seus direitos

Sendo contratada no regime CLT, você poderá se afastar do trabalho para cuidar da saúde mental, desde que um médico (de qualquer especialidade) faça o pedido. Até 15 dias de licença, a empresa arcará com a sua ausência. A partir do 16º dia, o caso será encaminhado para a Previdência Social para que possa receber o auxílio-doença. O valor será de cerca de 91% do seu salário – sendo que o limite do benefício é de 5 645,80 reais. Não existe um tempo máximo de afastamento, mas o órgão público poderá pedir perícia médica, de tempos em tempos, para definir a continuação ou não do benefício.

Fontes consultadas: Fernanda Talarico, advogada trabalhista do escritório Machado Rodante Advocacia, e Lucyanna Lima Lopes, advogada e sócia do escritório Lima Lopes, Cordella Advogados Associados, ambas de São Paulo

Chorar no trabalho pode?

Stress, raiva e frustração depois de um desentendimento com o chefe, crise no namoro ou casamento e morte ou adoecimento de alguém querido. Todas essas situações são contextos em que é completamente aceitável que as lágrimas transbordem em cima do teclado do computador da empresa. Chorar não é um problema, dizem os especialistas, porque temos de ser verdadeiras com nossos sentimentos. A questão é a frequência com que isso acontece. “O choro recorrente mostra um desequilíbrio emocional que afeta a nossa tomada de decisão e a forma como enxergamos a realidade”, diz Fátima Motta, doutora em ciências sociais e professora de gestão de competências e liderança na ESPM, em São Paulo. “Nesse caso, é pequeno preocupar-se com o que o outro está pensando sobre você chorar. O problema é não conseguir administrar os próprios sentimentos, o que atrapalha em todas as áreas da vida”, diz.

Buscar ajuda profissional pode ser uma boa, então. Mas, se o choro for pontual, cabe a você decidir desabafar com colegas no café ou soluçar escondida no banheiro – talvez queira considerar a cultura da empresa. Ninguém é obrigado a falar sobre o motivo do choro a quem perguntar, e também não precisa pedir desculpas por ser humana. Conheça: Espaço de coworking é uma boa opção para quem trabalha em escritório 

 

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